sábado, 11 de julho de 2009

O Papel Ridículo do Ódio.


Entenda esse sentimento em Freud, Hegel, Nietzsche e Sêneca, entre outros pensadores...



A história da humanidade denuncia uma série de acontecimentos em que o ódio é manifesto. O nazismo, mascarado pelo ódio instrumentalizado e utilizado em proveito do discurso político, foi eficiente em disseminar a idéia de superioridade e possibilidade de destruição de outras raças e, por fim, conseguiu dizimar milhões de pessoas. Mais adiante, a bomba atômica, que redefiniu paradigmas sociais e humanos, reafirma o desejo e a necessidade de destruir. Um desejo que se reproduz, prolifera com grande versatilidade. Em alguns países inclusive aqui mesmo no Brasil crianças com fuzis nas mãos crescem reproduzindo esse ódio sem limites que ultrapassa a vontade da vida. Para Freud, “pulsão de morte” como ele denomina a questão, é intrínseca ao homem. É a relação entre Eros, que busca a preservação da vida, e Tanatos, que conduz á destruição, conflito que todo o ser humano alimenta. E não conseguir colocar pra fora a agressividade, por conta de imposições culturais e morais, gerando grandes frustrações.
Sêneca, grande intelectual da época do Império Romano e autor de um tratado sobre cólera, já dizia que o acúmulo de ressentimentos pode virar uma bomba-relógio e que o ódio é inevitável. “Indiferente a si mesmo, mesmo que possa prejudicar os outros, o ódio se precipita sobre as suas armas, ávido de uma vingança que arrasará consigo o vingador. Sêneca escreveu algumas tragédias gregas, entre elas a tragédia de Medeia, personagem mítico que, após ser traída pelo marido (Jasão) e banida do convívio com os filhos, refugia-se e alimenta a vingança. Sua vontade de aplacar esse sentimento não poupa nem os próprios filhos.” Nenhuma força no mundo, nenhum incêndio, nenhum ciclone ou máquina de guerra possui a violência de uma mulher abandonada, nem a violência, nem seu ódio” escreve Sêneca.


Durante todo esse tempo nem a Filosofia nem qualquer outra Ciência ensinaram ao homem como lidar com essa “paixão pelo ódio”.
O autor Schopenhauer diz que mostrar ódio nas palavras ou no semblante é inútil e perigoso. O ódio só deve ser demonstrado por ações. E essas poderão ser praticadas tão mais perfeitamente quanto mais perfeitamente forem evitadas as atitudes anteriores. Apenas animais de sangue frio são venenosos, lembra o Autor.

Menos evidente que outros tipos de ódio, o relacionado ás mulheres se reveste de máscaras, sendo o amor em excesso a sua dissimulação


As mulheres que sempre foram alvos de preconceitos associados a crimes contra a humanidade, talvez por isso a dissimulação. Nesta perspectiva, a Geni, da canção de Chico Buarque, que salvou uma cidade, mas continuou sendo odiada."Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! "

Pandora, da mitologia grega que possuía uma caixa de onde saíram os males que afligiram os homens. 'Bola de Sebo' (1880), uma prostituta que se entrega a um oficial alemão para salvar a vida dos respeitáveis companheiros de viagem. do conto de Guy de Maupassant, Maria Madalena que despertou ciúmes e inveja dos apóstolos de Jesus por ser mais sensitiva e inteligente e Eva ambas da tradição bíblica... Eva, que comeu da maça... Que em minha opinião foi apena mais uma atitude de coragem diante da covardia do homem. (Sobre essa minha idéia falo em outro post) entre outras tantas personagens femininas, são alvos de um ódio mais que planetário e universal. Esse fenômeno parece não cessar.


Parece que quanto mais avançamos nos séculos e a participação delas em áreas antes dominados pelos homens aumenta, mais os olhos tortos da falta de razão apontam o dedo e culpam a mulheres por algum tipo de crime contra a felicidade da humanidade. “ Como assume várias formas de acordo com a época e as circunstâncias em função da religião e ideologia, ele intriga por sua recorrência no curso dos tempos e na multiplicidade dos espaços” analisa Glucksmann. O filósofo Daniel Lins explica que, “no começo” a mulher, agente maior de nossa mitologia, foi considerada inumana, senão como animal, completamente ou “mal necessário”. Portanto, o ser humano, o gênero humano, o humano masculino, fundamento criacional que infelizmente ainda sustenta o preconceito em relação às mulheres. O ódio é pura excitação e dedica-se inteiramente á impetuosidade de seu ressentimento, ele não pode recuar diante de um desejo ardente e inumano de combate, sangue e suplícios. Hegel, na Enciclopédia das ciências filosóficas, dirá que “ nada de grande se realizou no mundo sem paixão e ódio”

“O ódio nunca é cego, mas sim clarividente, apenas a cólera é cega. O amor nunca é cego, ele também é clarividente. Somente o estado de enamoramento é cego, instável e imprevisível, mas esse é um afeto, não uma paixão. Cabe á paixão expandir-se para além dela mesma e tomar conta de tudo. No ódio se produz, igualmente, esse tipo de expansão, porque ele persegue sem cessar e por toda parte seu objeto” Diz o filósofo alemão Nietzsche.



P.S.




Recomendo a leitura do livro Bola de Sebo de Guy de Maupassant, um conto simplesmente fantástico!

8 comentários:

Frazzão disse...

Comecei á ler apenas por curiosidade, e para minha surpresa deparo-me com um texto no mínimo muito inteligente, é raro encontrar blogs com leituras que me prende como este seu Fernanda. Parabéns ganhei o dia e você mais um leitor e fã.

Sobre sua indicação do conto Bola de Sebo, assino embaixo, já li e recomendo também. Sobre as mulheres, a que mais me chamou atenção no seu texto além de suas idéias é claro foi a citação sobre Maria Madalena.

• Sobre Madalena, a inquisição mandou deturpar a palavra do Cristo na ceia larga, pois Madalena estava ao lado de Jesus, fazia parte do estudo evangélico de Jesus. Era abençoada pelo espírito e inteligência que ela tinha. Ela era uma mulher normal, era sua discípula, os dois andavam juntos, ela sendo como uma sacerdotisa. Os homens, na maldade, na deturpação da mente e por inveja tentaram por séculos deturpar esta amizade entre Jesus e Maria Madalena.

Uma forte abraço querida. Tens a minha admiração.

Leo Mandoki, Jr. disse...

eita!!! quantas citações para falar do ódio hein!...o ´´odio não se compreende amor! o ódio é matéria q vem das visceras. E tu não controlas as tuas emoções de ódio...
...
os filósofos?!!! que se fodam!! eram tdos seres próximos do odio
...
beijos

HSLO disse...

Nanda, vou procurar ler essa leituras recomendadas viu.


Beijos...tenha um ótimo final de semana.

Fernanda Magalhães disse...

Leo concordo com vc...

Por isso mesmo morreram todos solitários e loucos.


HSLO querido leia mesmo principalmente sobre Medeia e Bola de Sebo, duas mulheres fascinates.


Bjos!!

Carlos S. M disse...

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.
Fernando Pessoa"


E eu digo...Você Fernanda é perfeita até nos defeitos.


Te amo minha gata!

Lelli Ramz disse...

Oi querida... vou dizer q na entrada já amei.. falar de Freud, nietzsche.. boa prosa essa nossa...

mas ai a eu dizer que o ódio é só agressão.. pra mim é mto.. ou pouco..

seu eu tão pacífica q sou... e tenho ódio??

depois a história.. do Lê... unh não quero isso para os filosofos não! mas ele que queira oq quiser... que é maravilhoso alimentar sentimentos.. sejam eles quais forem..

então volto aqui mais vezes..

sentimentos, ódios e amores

Lelli

Taw disse...

vejo "ódio"[?] [no dia-a-dia] como manifestação de um vazio[falta de algo essencial para se manter a lógica do raciocínio em um nível moralmente[?] "humano"].

a ausencia desse "elemento essencial" se concretiza em atitudes "destrutivas".

Ser humano quando quer atingir algo [destruir] toma raiva por qualquer coisa, não só de mulheres, crianças, etc... e por qualquer motivo, não só os que envolvem moral e tals... se puder destrói até os alienígenas por não existerem!

-.-


:-P

Oscar disse...

Sieg heil!