quinta-feira, 2 de julho de 2009

Medo de se Apaixonar... Vamos Exorcisar Este Medo?



Alinhar ao centro



Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.

Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza.

Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz.

Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele.

Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.



14 comentários:

ma! =) disse...

Ontem um amigo me disse que tinha muito medo de se apaixonar, pois nunca tinha se apaixonado antes. Acredito, que nesse caso ainda não é tão ruim.. Pior quando já se apaixonou e sente medo quando acaba. Porque pra quem nunca viveu uma paixão, é normal, é comum ter medo do desconhecido. Agora para quem já viveu, é terrível ter medo e se esconder atrás desse medo para tentar desviar de uma possível paixão.
Ah, e é tão bom se apaixonar.. Não é?
Adorei o post, parabéns. :*

☼ Bia ☼ disse...

Escreveu isso pra mim foi?? rsrs
Estou assim, mas sei que vou perder o medo.

Beijo, te adoro muitão visse? De verdade!

Miss Butterfly disse...

Bah!!!

Amei esse texto...
SABE.....pra falar a verdade...acho que hj em dia tenho medo de me apaixonar pela pessoa errada; se ao menos pudessemos saber se somos correspondidos seria tudo tão mais fácil...não acha?!

Beijosss

Mislene Lopes disse...

também adorei seu blog

Mislene Lopes disse...

vou adorar que seja minha seguidora bjs

Thiago disse...

isso vc matou a charada miss butterfly aquele sinal pra sermos
correspondidos acho que essa e "verdadeira resposta"...

carolina disse...

LINDO TEXTO!
Obrigada por me dar a oportunidade de me ver tão bem escrita!
obrigada!

Leandro disse...

Talvez o maior medo seja não entender. Ficou enigmatico? pois esta era a intensão ;-)

Karol Borges disse...

Gente to tão antiga ... ta tudo de cara nova por aqui .... que show .... beijos mulher

Raquel El-Bachá disse...

Oi Fernanda. Adorei o texto. Eu preciso perder esse medo. De tanto me apaixonar pelas pessoas erradas e de sofrer o medo é recorrente.
Beijos.

Pêjotinha' disse...

Esse texto cola em mim. AMEI. E sim eu tenho medo porque a resposta já se fez ouvir em mim e ainda não lhe dei um tom, um cheiro, uma cor. Simplesmente tudo tem de continuar a ser cinzento. :S

Valter Montani disse...

A vida é simples
a gente é que complica tudo.
Como eu devo ter escrito num outro comentário por aqui:
quem tem medo de sofrer jamais encontrará a felicidade.
O sucesso está mais próximo daqueles que não tem medo de ousar.

Ouse, seja feliz Fernandinha! bjs e bom fim de semana.

Tatá R. da S. disse...

Pelo menos um desses medos todo mundo tem ou já teve.
Porém eu acho que o que diferencia os felizes dos tristes não é o fato de sentir medo, pq todos sentem, mas os felizes não deixam o medo impedir a felicidade, eles passam por cima do medo, já os tristes se deixam levar pelo medo e acabam deixando de vivênciar as melhores coisas da vida.
Gostei muito. ^^
Beijocas ninfa!

Leandro disse...

Medo desse blog acabar e ficar sem ótimos e belos textos como esse!
Beijão